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Direito Tributário · Simples Nacional

O Simples não
acaba. Mas você
vai ter que escolher.

A LC 214/2025 preservou o Simples Nacional e criou a opção pelo regime híbrido de IBS e CBS. Escolher errado não gera multa: gera perda de cliente, porque quem compra de você pode precisar de crédito que o seu regime não transfere.

LC 214/2025 · altera a LC 123/2006
2027
Ano em que a escolha de regime passa a produzir efeitos para o optante do Simples.
Simples Nacional preservado, não extinto
Nova opção: recolher IBS e CBS fora do DAS
Primeira janela de opção: setembro de 2026
Sem alteração operacional em 2026
Impacto direto na cadeia de créditos
!

A decisão não é contábil: é comercial

A pergunta certa não é "qual regime paga menos imposto", e sim "quem é o meu cliente". Se você vende para empresas que precisam se creditar de IBS e CBS, permanecer no recolhimento unificado pode te tornar mais caro que um concorrente do Lucro Presumido, mesmo pagando menos tributo. Se você vende para consumidor final, a lógica se inverte.

O que a reforma faz com o Simples Nacional

A LC 214/2025 alterou a LC 123/2006 e preservou o Simples Nacional, mas adaptou sua estrutura para acomodar os dois novos tributos sobre o consumo: a CBS, de competência federal, e o IBS, compartilhado entre estados e municípios.

O que surge de novo é a possibilidade de recolher IBS e CBS fora do DAS, pelo regime regular não cumulativo, mantendo os demais tributos no recolhimento unificado. É o chamado regime híbrido. Nele, a empresa apura débitos sobre as vendas e créditos sobre as compras, com a mesma mecânica de uma empresa do Lucro Presumido. Em 2026 nada muda na operação: o ano é para simular e decidir.

01
Perfil do seu cliente
Vender para empresa que se credita é diferente de vender para consumidor final. Esse é o primeiro critério da decisão, antes de qualquer cálculo de alíquota.
02
Crédito que você transfere
O aproveitamento pelo adquirente é limitado quando o fornecedor permanece no DAS. Isso pode te tirar de concorrências que você hoje vence.
03
Crédito que você aproveita
No híbrido, as compras passam a gerar crédito. Para empresa com custo de insumo relevante, isso pode compensar a carga maior sobre a venda.
04
Complexidade operacional
O híbrido acaba com a simplicidade do DAS para IBS e CBS: apuração mensal, controle de créditos, obrigações acessórias e sistema à altura.
05
Entrada na lógica do split payment
Quem vai para o regime regular de IBS e CBS entra também na dinâmica de segregação automática do tributo no pagamento, com efeito sobre o caixa.
06
Janela com data marcada
A primeira janela formal de opção foi fixada para setembro de 2026, com efeitos a partir de janeiro de 2027. Não decidir também é uma decisão.

Três perguntas antes de escolher

A resposta certa depende do seu negócio, não do que o vizinho de galpão vai fazer.

I
🏢
Quem compra de você?
Se a maior parte do faturamento vem de vendas para outras empresas, o crédito que você transfere é argumento comercial. Se vem do consumidor final, ele é irrelevante.
II
📦
Quanto pesa seu insumo?
Negócio com custo de compra elevado tende a ganhar no híbrido, porque passa a se creditar. Negócio intensivo em mão de obra, com pouco insumo, tende a perder.
III
⚙️
Você aguenta a complexidade?
O híbrido exige apuração mensal, controle de créditos e sistema preparado. Vale a pena se o ganho for real, não se for marginal.
🗝️
O Ponto Decisivo
Pagar menos imposto pode significar vender menos
É contraintuitivo, mas é o centro da decisão. Uma empresa do Simples que permanece integralmente no DAS pode continuar pagando pouco tributo e, ainda assim, ficar mais cara para o cliente empresarial, porque esse cliente não consegue se creditar integralmente do que comprou dela.

Na prática, o comprador passa a comparar o preço líquido de crédito, não o preço da nota. Um concorrente do Lucro Presumido que transfere crédito integral pode sair na frente mesmo cobrando mais. Por isso essa escolha precisa ser simulada com os números reais da sua carteira de clientes, e não decidida no automático pela opção que "sempre foi mais barata".
Como Funciona

Da simulação à opção formal

Etapa 01
Perfil da carteira
Mapeamos quanto do seu faturamento vem de clientes que se creditam e quanto vem de consumidor final. É o dado que orienta tudo o mais.
Etapa 02
Simulação comparativa
Comparamos, com os seus números, a carga e o preço líquido de crédito nos dois cenários: recolhimento unificado e regime híbrido.
Etapa 03
Preparação operacional
Se o híbrido for o caminho, especificamos o que o sistema e a rotina fiscal precisam suportar antes de janeiro de 2027.
Etapa 04
Opção formal e acompanhamento
Formalizamos a opção na janela correta e acompanhamos o primeiro ciclo de apuração, que é onde os problemas aparecem.
Perguntas Frequentes

Dúvidas sobre Simples e reforma

?
O Simples Nacional vai acabar?
Não. A LC 214/2025 preservou o regime e apenas adaptou sua estrutura para acomodar IBS e CBS. O que muda é que o optante passa a ter uma escolha sobre como recolher esses dois tributos.
?
O que é o regime híbrido?
É a possibilidade de recolher IBS e CBS fora do DAS, pelo regime regular não cumulativo, mantendo os demais tributos no recolhimento unificado. A empresa passa a apurar débitos sobre vendas e créditos sobre compras.
?
Quando preciso decidir?
A primeira janela formal de opção foi fixada para setembro de 2026, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027. A decisão deve vir de simulação, não de inércia.
?
Minha empresa gera crédito para o cliente?
O aproveitamento pelo adquirente é limitado quando o fornecedor permanece no recolhimento unificado. No híbrido, o crédito segue a lógica do regime regular. Isso pesa diretamente na sua competitividade em vendas B2B.
?
O que muda para mim em 2026?
Operacionalmente, nada. Optantes do Simples só passam a destacar IBS e CBS nos documentos fiscais a partir de 2027. O uso correto de 2026 é simular e decidir com calma.
?
Vendo para consumidor final. Devo ir para o híbrido?
Em geral, não. O híbrido tende a compensar para quem vende a empresas que precisam se creditar. Quem atende consumidor final costuma se beneficiar mais da simplicidade do DAS, mas a resposta depende dos números reais do seu negócio.
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