Defesa em Autuação Fiscal
A mesma auditoria que encontra crédito também encontra risco. Se a revisão revelar exposição, a defesa começa antes da autuação.
Saiba mais →Crédito de PIS/Cofins não aproveitado, tributo sobre verba que não devia ser tributada, base de cálculo inflada por tese já derrubada nos tribunais. O direito de reaver prescreve em 5 anos, e com a reforma extinguindo os tributos atuais, cada mês que passa é crédito que morre.
PIS, Cofins, ICMS e ISS serão progressivamente extintos entre 2027 e 2033, substituídos por IBS e CBS. A LC 214/2025 disciplina o aproveitamento dos saldos credores dos tributos extintos, mas crédito não identificado e não documentado antes da transição tende a virar disputa, ou a se perder. A revisão que sempre foi recomendável agora tem data para deixar de ser possível.
O sistema tributário brasileiro é complexo demais para ser pago com precisão. Empresas recolhem guias calculadas por sistemas parametrizados anos atrás, sobre bases que os tribunais já redesenharam. O resultado, na prática: uma parte relevante das pequenas e médias empresas paga mais tributo do que deve, todo mês, sem saber.
O CTN garante o direito de reaver o que foi pago indevidamente (arts. 165 a 168), por restituição (dinheiro de volta), ressarcimento ou compensação (abatimento em tributos a vencer, via PER/DCOMP). O prazo é de 5 anos contados de cada pagamento: o que foi pago a maior em julho de 2021 prescreve agora, o de agosto de 2021 prescreve no mês que vem, e assim por diante. Revisão tributária não é oportunismo: é conferir a fatura de um fornecedor que cobra errado com frequência documentada.
A revisão tributária sempre valeu a pena. O momento é que nunca foi tão decisivo.
Os perfis com maior incidência de recuperação: empresas do lucro real que nunca revisaram o conceito de insumo de PIS/Cofins; indústrias e transportadoras com cadeia longa de custos; revendedores de produtos monofásicos (autopeças, cosméticos, farmácia, bebidas) em qualquer regime, inclusive Simples; empresas com folha de pagamento relevante e verbas indenizatórias recorrentes; e qualquer empresa que trocou de ERP ou de contador nos últimos anos, porque a troca de sistema é onde parâmetros errados nascem e se perpetuam.
Um sinal simples de alerta: se a sua empresa nunca fez uma revisão tributária, a probabilidade de existir crédito não é pequena. Não porque alguém errou por má-fé, mas porque o sistema é complexo demais para acertar sempre, e o erro a favor do Fisco não dispara nenhum aviso.
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